đ„ 10 curiosidades incrĂveis sobre o filme “Nascido para Matar” (1987) que vocĂȘ (provavelmente) nĂŁo sabia!

Lançado em 1987, “Nascido para Matar” dirigido por Stanley Kubrick, Ă© um dos filmes mais emblemĂĄticos sobre a guerra do VietnĂŁ, oferecendo uma visĂŁo crua e impactante da brutalidade do conflito. A obra Ă© notĂĄvel nĂŁo apenas pela sua abordagem realista e visceral, mas tambĂ©m pela direção Ășnica de Kubrick, que transforma um retrato de guerra em uma anĂĄlise sobre a desumanização e os efeitos psicolĂłgicos do combate.
O filme Ă© dividido em duas partes: a dura formação dos recrutas no campo de treinamento e os horrores vividos no front. Com performances memorĂĄveis de atores como Matthew Modine, Vincent D’Onofrio e R. Lee Ermey, “Nascido para Matar” se tornou uma referĂȘncia no cinema bĂ©lico.
Neste texto, vamos explorar algumas curiosidades sobre o filme, desde seus bastidores até os detalhes que tornam esta obra uma das mais importantes da história do cinema.
1 – O BULLYING DO FILME ACONTECE EM ACADEMIAS MILITARES REAIS
Uma das cenas mais perturbadoras do filme ocorre quando o desajeitado recruta Soldado Pyle Ă© brutalmente atacado por seus colegas de treinamento durante a noite. Eles o imobilizam na cama e o agridem com barras de sabĂŁo envoltas em toalhas.
Esse tipo de bullying extremo realmente acontece em academias militares, sendo conhecido como “Blanket Party” (“Festa do cobertor”, em tradução livre). O nome vem justamente dessa cena de “Nascido Para Matar”, onde Pyle Ă© preso Ă cama com um cobertor enquanto sofre o ataque.
2 – A ĂLTIMA CENA FOI A PRIMEIRA A SER GRAVADA PARA RASPAREM OS CABELOS DOS ATORES
A cena inicial do filme mostra um grupo de jovens indo a um barbeiro. SĂŁo os mais recentes recrutas do corpo de fuzileiros navais dos EUA, que estĂŁo passando por uma experiĂȘncia de ter suas cabeças raspadas e suas identidades apagadas.
Curiosamente, essa foi a Ășltima cena filmada pelo diretor Stanley Kubrick, e os atores precisaram voltar para gravĂĄ-la meses apĂłs o fim das filmagens. Muitos dos membros do elenco, especialmente os mais jovens, nĂŁo ficaram satisfeitos, pois tinham acabado de deixarem o cabelo crescer.
3 – O FILME FOI FILMADO NA INGLATERRA
Embora “Nascido Para Matar ” seja ambientado parcialmente nos Estados Unidos e no VietnĂŁ, as filmagens ocorreram na Inglaterra. Na Ă©poca, Kubrick morava na Inglaterra e nĂŁo gostava de voar, mesmo para filmar. As locaçÔes usadas incluĂam o “Pinewood Studios” e os “Bassington Barracks”.
A famosa cena em que um atirador vietnamita mata metade da equipe foi filmada no “Beckton Gasworks”, em Londres, que estava prestes a ser demolido. O designer de produção, Anton Furst, trouxe 300 palmeiras da Espanha para criar o ambiente tropical necessĂĄrio e passou por mais de 6000 fotografias da Guerra do VietnĂŁ para sua pesquisa.
Furst explicou: “NĂŁo querĂamos cĂ©u azul; se o sol aparecesse, Kubrick nĂŁo filmava. TĂnhamos todos os prĂ©dios em chamas. âParris Islandâ deveria treinĂĄ-los para sua missĂŁo no VietnĂŁ, entĂŁo contrastamos a incrĂvel limpeza do campo de treinamento com a imensa sujeira da guerra real; o ponto era que eles estavam sendo confrontados com algo para o qual nunca poderiam ter se preparado”.
Stephen Woolley, um produtor de cinema, contou uma história de 1986 sobre uma festa de aniversårio que ele organizou em seu apartamento, onde Anton Furst estava presente. Furst desmaiou devido à exaustão, pois estava em plantão constante, trabalhando 24 horas por dia na produção do filme ao lado de Kubrick.
4 – ESCOLHENDO O PERSONAGEM “CORINGA”
O protagonista de “Nascido para Matar” Ă© o Soldado Coringa, vivido por Matthew Modine, e sua jornada atĂ© o papel foi um tanto peculiar. Segundo Modine, o ator Val Kilmer, que estava em ascensĂŁo na Ă©poca, o confrontou em um restaurante e desafiou-o para uma briga, acreditando que Modine havia “roubado” o papel de Coringa. No entanto, naquele momento, Modine nĂŁo tinha ideia de que estava concorrendo ao papel ou de que Kubrick estava realizando testes. Como resposta, Modine enviou trechos de seu trabalho em “VisionQuest” (1985) e conquistou o papel.
Antes de Modine ser escalado, Anthony Michael Hall, conhecido por seu papel como Brian em “O Clube dos Cinco” (1985), havia sido escolhido para interpretar Coringa. Kubrick o contratou, mas a colaboração nĂŁo deu certo quando eles nĂŁo chegaram a um acordo sobre o salĂĄrio. Como resultado, Hall foi substituĂdo por Matthew Modine.
5 – ATOR ESCREVEU UM DIĂRIO SOBRE A SUA LOUCA EXPERIĂNCIA GRAVANDO O FILME
O personagem Coringa passa por uma transformação significativa no filme, assim como Matthew Modine ao interpretå-lo. A produção foi tão longa que, durante as filmagens, Modine se casou, sua esposa ficou gråvida, teve o filho e ele completou um ano, tudo enquanto o trabalho no filme seguia.
AlĂ©m de seu desempenho nas telas, Modine se dedicou ao papel de maneiras mais pessoais. Ele manteve um diĂĄrio durante as filmagens, no qual escrevia todos os dias. Esse diĂĄrio foi mais tarde publicado sob o tĂtulo “Full Metal Jacket Diary”.
Curiosamente, o nome real do personagem Coringa Ă© JT Davis, uma homenagem ao soldado James T. Davis, o primeiro americano a morrer no VietnĂŁ, em 1961. No “Full Metal Jacket Diary”, Modine compartilha uma histĂłria sobre um desentendimento com Kubrick no set. Modine havia pedido permissĂŁo para sair, pois sua esposa grĂĄvida estava prestes a fazer uma cesĂĄrea e ele nĂŁo tinha cenas programadas para o dia. No entanto, Kubrick nĂŁo queria que ele saĂsse e respondeu: “VocĂȘ vai desmaiar por causa do sangue e atrapalhar os mĂ©dicos”. Modine, entĂŁo, ameaçou cortar sua prĂłpria mĂŁo para ser levado ao hospital, e Kubrick disse: “Ok, vocĂȘ pode ir. Mas sĂł se voltar logo depois que terminar”.
Modine tambĂ©m revelou que, durante as filmagens, desenvolveu uma relação prĂłxima com Kubrick, chegando a vĂȘ-lo quase como uma figura paterna. No entanto, apĂłs o lançamento do filme, ele tentou entrar em contato com o diretor para uma conversa, mas Kubrick estava imerso em seu prĂłximo projeto e nĂŁo parecia interessado em falar com ele. Modine comentou: “Eu era jovem, e isso foi realmente perturbador, pois pensei que ele se importava comigo”.
6 – ATOR QUASE PERDE SEU PAPEL NO FILME
Na Ă©poca, D’Onofrio trabalhava como segurança de uma boate quando soube das audiçÔes para o filme, atravĂ©s de Matthew Modine. EntĂŁo, ele alugou uma cĂąmera de vĂdeo, alugou alguns uniformes militares e gravou sua prĂłpria audição.
Stanley Kubrick ficou bastante impressionado com sua performance. PorĂ©m, quando o estĂșdio ligou para informar que ele havia conquistado o papel de Pyle, D’Onofrio desligou a ligação, achando que era uma brincadeira de algum amigo. Felizmente, o estĂșdio ligou novamente para confirmar a notĂcia.
7 – INFILTRADOS
Kubrick e Michael Herr colaboraram na escrita do roteiro, mas Kubrick sĂł teve contato com Gustav Hasford por telefone. Embora Kubrick quisesse encontrar Hasford pessoalmente, Herr tentou dissuadi-lo, afirmando que “ele era um homem muito assustador”. No entanto, Kubrick e Hasford acabaram se encontrando, e o encontro foi tĂŁo tenso que Hasford foi excluĂdo do processo de escrita do filme. Sentindo-se injustiçado, Hasford tentou processar para obter crĂ©dito total pelo roteiro.
Em uma ocasião, Gustav Hasford e dois amigos se infiltraram no set disfarçados com roupas militares. Seus motivos não eram claros, mas foram reconhecidos e, em seguida, removidos pela segurança.
8 – UMA CENA PESADĂSSIMA FOI CORTADA DO FILME
Kubrick removeu uma cena bastante impactante do filme. Durante uma sequĂȘncia que se passaria nas entrevistas da revista “Stars and Stripes” no VietnĂŁ, os fuzileiros estariam jogando futebol. Quando a cĂąmera se afastava, revelava que, em vez de uma bola, eles estavam chutando uma cabeça humana. A cena foi cortada apĂłs o estĂșdio alertar Kubrick de que seria impossĂvel justificar tal imagem.
9 – MUDANĂA NO FINAL
Um fato surpreendente sobre “Nascido Para Matar” envolve sua cena final, uma das mais memorĂĄveis em filmes de guerra, onde vemos os recrutas marchando pela noite, cantando o tema do Clube do Mickey. No roteiro original, Kubrick planejou incluir um flashback do Coringa quando criança, simulando sua morte com um tiro, logo antes de sua morte real durante a emboscada do esquadrĂŁo.
Matthew Modine revelou que, em uma conversa com Kubrick, sugeriu que o personagem Coringa deveria sobreviver. Ele argumentou que Coringa havia testemunhado seu instrutor de treinamento morrer, tentou ajudar um recruta que se matou, teve seu amigo Cowboy morrendo em seus braços e, por fim, matou uma atiradora adolescente. Para Modine, Coringa precisava viver porque suportar todas essas experiĂȘncias seria mais horrĂvel do que a prĂłpria morte. Kubrick, ouvindo isso, concordou e disse: “esse Ă© o fim do filme”.
Além disso, Kubrick originalmente planejava usar o tema do Pica-Pau para essa cena, mas não conseguiu os direitos, optando então pelo tema do Clube do Mickey.
10 – MARCOU UMA GERAĂĂO DE JOVENS
O filme foi um enorme sucesso quando lançado e rapidamente se tornou um favorito entre os jovens americanos, muitos dos quais se alistaram como resultado. Em um artigo para o New York Times, um ex-fuzileiro naval dos EUA chamado Anthony Swofford escreveu que “Nascido Para Matar” seduziu sua geração e, de certa forma, os levou Ă guerra.
CONCLUSĂO
“Nascido para Matar” Ă© um marco cinematogrĂĄfico que continua a impactar o pĂșblico e a crĂtica, sendo um dos maiores feitos do diretor Stanley Kubrick. AtravĂ©s de sua abordagem Ășnica sobre a guerra, o filme mergulha nas complexidades psicolĂłgicas dos soldados e os horrores do VietnĂŁ, oferecendo uma reflexĂŁo profunda sobre a natureza humana em tempos de conflito.
As performances memorĂĄveis, especialmente a de Matthew Modine, e as icĂŽnicas cenas, como o treinamento rigoroso e o confronto final, tornaram o filme inesquecĂvel. AlĂ©m disso, a maneira como Kubrick mistura crĂtica social com uma narrativa visceral Ă© um exemplo do seu talento inato para questionar temas universais.
“Nascido para Matar” nĂŁo Ă© apenas um retrato da guerra, mas um estudo sobre a desumanização e a sobrevivĂȘncia, tornando-o um filme essencial para quem busca compreender o impacto psicolĂłgico dos conflitos bĂ©licos.