🎥 7 curiosidades incríveis sobre o filme “O Jogo da Imitação” (2014) que você (provavelmente) não sabia!

Lançado em 2014, “O Jogo da Imitação” é um filme baseado em fatos reais que conta a história do matemático britânico Alan Turing, interpretado por Benedict Cumberbatch. Turing é amplamente reconhecido como um dos pais da computação moderna, e sua contribuição foi crucial para a decodificação da máquina de códigos nazista Enigma durante a Segunda Guerra Mundial.
O filme retrata não apenas seu brilhantismo, mas também as dificuldades e discriminações que ele enfrentou em sua vida pessoal devido à sua homossexualidade, algo que era ilegal na época. Com uma trama envolvente e repleta de momentos históricos marcantes, “O Jogo da Imitação” foi amplamente aclamado pela crítica, recebendo diversas indicações a prêmios, incluindo o Oscar.
Neste texto, exploramos curiosidades fascinantes sobre a produção do filme, os bastidores e a verdadeira história por trás dos eventos retratados na tela.
1 – ALAN TURING NÃO CRIOU A MÁQUINA SOZINHO, COMO É MOSTRADO NO FILME
O filme “O Jogo da Imitação” retrata Alan Turing, um matemático britânico, como o gênio solitário e repentino responsável por criar a máquina capaz de decifrar o código Enigma. Contudo, a realidade é bem diferente. Embora Turing seja amplamente reconhecido como o pai da ciência da computação, ele utilizou uma tecnologia já existente para, com a colaboração de Gordon Welchman, alcançar esse feito.
A primeira tentativa de quebra dos códigos alemães ocorreu em 1932, realizada por Marian Rejewski, Jerzy Różycki e Henryk Zygalski, membros do Polish Cipher Bureau. Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Polônia passou a compartilhar suas descobertas com os Aliados. É válido afirmar que as pesquisas realizadas no início da década de 1930 ajudaram no desenvolvimento do Bombe, a máquina britânica que usava rotores para quebrar combinações de códigos.
Outra questão importante é que, embora Turing fosse um visionário, sua contribuição para o Bombe não constituiu uma invenção totalmente nova. Ele conseguiu acelerar o processo com a ajuda de um protótipo desenvolvido em parceria com Welchman, que, por ironia, nem mesmo é mencionado no filme.
2 – JOAN CLARKE NÃO FOI ESCOLHIDA FAZENDO PALAVRAS-CRUZADAS
Keira Knightley interpreta Joan Clarke, um dos papéis mais marcantes de sua carreira. No entanto, a representação de seu personagem está repleta de imprecisões históricas. O filme sugere que Clarke foi recrutada para a equipe de Bletchley Park depois de demonstrar suas habilidades em uma competição de palavras-cruzadas, enquanto Turing aparece montando quebra-cabeças.
De acordo com uma matéria do “The Guardian”, embora palavras-cruzadas de fato tenham sido utilizadas como parte do processo de recrutamento em Bletchley Park, nem Turing nem Joan Clarke foram selecionados dessa maneira.
Clarke já era uma matemática de destaque por mérito próprio e foi escolhida para a equipe por Gordon Welchman. Além disso, a biografia de Andrew Hodges revela que Turing não era particularmente habilidoso com quebra-cabeças de palavras, como criptogramas e anagramas.
3 – ALAN E JOAN SE AMAVAM DE VERDADE
O “Jogo da Imitação” retrata Alan Turing e Joan Clarke como um casal que ficou noivo brevemente, sugerindo que o matemático fez isso para atender aos desejos de seus pais autoritários. No entanto, a realidade era diferente.
Andrew Hodges, em sua biografia “Alan Turing: The Enigma”, revela que Turing e Clarke ficaram noivos porque ele realmente gostava dela. Clarke, por sua vez, aceitava a orientação sexual de Turing, e ambos compartilhavam uma relação de carinho, chegando a dizer “Eu te amo” um para o outro.
4 – UM DOS MOMENTOS MAIS MARCANTES DO FILME NUNCA EXISTIU
Um dos momentos mais marcantes do filme é o complexo dilema moral enfrentado por Peter Hilton (Matthew Beard), um dos colaboradores de Turing na quebra dos códigos nazistas. O enredo do filme mostra que a equipe de Alan conseguiu interceptar os planos de um ataque alemão a um pelotão no qual o irmão de Hilton estava envolvido.
No entanto, alertar os Aliados sobre o ataque significaria revelar aos nazistas que seus códigos haviam sido decifrados, colocando em risco todo o trabalho desenvolvido. O que fazer diante dessa encruzilhada?
Na realidade, Turing e sua equipe nunca tiveram que tomar essa decisão. De acordo com uma matéria do portal Slate, esse cenário nunca ocorreu, pois Hilton não tinha um irmão nessa situação. Além disso, mesmo que tivesse, a responsabilidade de decidir as ações a serem tomadas era exclusiva dos altos escalões da administração militar britânica, e não da equipe de Turing.
5 – OS TRATAMENTOS QUE ALAN TURING TEVE QUE SE SUBMETER
A cena pós-créditos do filme sugere que Alan Turing tirou sua própria vida após ser forçado a submeter-se a uma terapia hormonal para suprimir seus “desejos homossexuais”. O filme segue a teoria do biógrafo Andrew Hodges de que ele teria cometido suicídio ingerindo uma maçã envenenada com cianureto.
Um ponto importante a ser destacado é o tratamento a que Turing foi submetido. As injeções que ele recebeu para reduzir sua libido causaram-lhe impotência e levaram à formação de tecido mamário, conforme relatado por Hodges.
6 – SUICÍDIO OU ACIDENTE?
Em relação à morte, Hodges sugere que Alan Turing estava reproduzindo uma cena de seu conto de fadas preferido: “Branca de Neve e os Sete Anões”. David Leavitt, outro biógrafo do matemático britânico, escreveu que Turing sentia “um prazer especialmente profundo na parte em que a rainha má mergulha a maçã na bebida envenenada”.
No entanto, o professor de filosofia Jack Copeland, em entrevista à BBC, questiona diversos pontos do veredito médico do legista e acredita que a investigação sobre a morte de Turing foi insuficiente. Ele observa que a maçã não foi analisada para verificar a presença de cianureto.
Além disso, Copeland propõe uma explicação alternativa para o falecimento: um acidente. Ele sugere que Turing pode ter inalado, de forma acidental, vapores de cianureto provenientes de um aparelho usado para galvanizar ouro em colheres, que Turing mantinha em seu quarto de hóspedes.
Copeland argumenta que os resultados da autópsia parecem se alinhar mais com essa hipótese do que com a ideia de ingestão do veneno. De fato, Alan Turing foi cremado em 12 de junho de 1954, e suas cinzas foram espalhadas nos jardins do Crematório de Working.
7 – ATOR E DIRETOR ELOGIARAM MUITO ALAN TURING
O ator Benedict Cumberbatch, que interpreta o personagem principal Alan Turing, desabafou sobre o matemático em uma entrevista: “Eu fiquei surpreso de ver o quão pouco eu sabia antes de ler a história. É uma história real tão comovente que precisa ser ouvida. Há uma urgência em apresentá-la ao mundo”, acrescentou. O diretor do filme, Morten Tyldum, não polpou elogios ao ator: “Esse personagem é tão complexo e eu queria fazer dele um personagem único. Ele é tão forte e tão motivado e ao mesmo tempo tão estranho e tão frágil. Nunca imaginei outra pessoa no papel a não ser Cumberbatch”.
CONCLUSÃO
O filme “O Jogo da Imitação” nos oferece uma reflexão profunda sobre a genialidade e a luta interna de Alan Turing, cuja contribuição para a história da computação foi vital, mas frequentemente ofuscada por sua vida pessoal. Além de ser uma homenagem a um dos maiores matemáticos e pioneiros da inteligência artificial, o filme também expõe as barreiras sociais e os preconceitos enfrentados por Turing devido à sua orientação sexual, em uma época de intensa discriminação.
A película não apenas destaca o impacto de seu trabalho na quebra do código Enigma durante a Segunda Guerra Mundial, mas também nos convida a questionar como a sociedade lida com a inovação e os indivíduos fora dos padrões convencionais.
Assim, “O Jogo da Imitação” permanece como uma poderosa história de perseverança, genialidade e a busca pela verdade, lembrando-nos da importância de valorizar os talentos, independentemente das diferenças pessoais.