Por que “Take on Me” do a-ha foi rejeitada antes de se tornar um hit mundial?

Introdução:

“Take on Me”, do a-ha, é uma daquelas músicas que representa um marco tanto para a música pop quanto para a história do videoclipe. Lançada em 1984, a música inicialmente não fez sucesso nas paradas de sucesso, mas, com uma segunda tentativa e a reinvenção de seu videoclipe, ela se tornou um dos maiores clássicos da década de 80 e permanece até hoje no imaginário popular. A jornada de “Take on Me” de rejeição para um hit mundial não é apenas uma história sobre música, mas uma lição de perseverança, inovação e adaptação.

Neste texto, vamos explorar o processo de criação, as dificuldades enfrentadas pelo a-ha, as razões por trás das rejeições iniciais e como, com a combinação certa de elementos, a música conquistou o mundo.

O Começo de Tudo: a-ha e a Criação de “Take on Me”

Nos primeiros anos da década de 80, o a-ha estava tentando encontrar seu lugar no cenário musical. Composto por Morten Harket (vocal), Magne Furuholmen (teclados) e Pål Waaktaar (guitarra), o a-ha nasceu em Oslo, Noruega. Influenciados por novas ondas de música pop, como o New Wave, o trio estava determinado a criar algo inovador, e foi com “Take on Me” que eles finalmente conseguiram capturar a atenção do público global. No entanto, essa jornada de sucesso não foi simples.

“Take on Me” foi composta por Pål Waaktaar e originalmente gravada em 1982, mas sua primeira versão não teve sucesso. Ela foi rejeitada por várias gravadoras, o que não é incomum no mundo da música, mas no caso do a-ha, o processo de rejeição foi longo e frustrante. As gravações iniciais da música, apesar de terem sido bem produzidas, não conseguiram chamar atenção imediata, principalmente por causa de um detalhe que se tornaria emblemático na história da música: sua complexidade sonora.

A Rejeição Inicial: O Motivo do Insucesso

O principal motivo das rejeições iniciais de “Take on Me” estava em seu arranjo e produção. Embora a música fosse uma mistura intrigante de synthpop e rock, ela não se encaixava facilmente no que estava sendo tocado nas rádios na época. “Take on Me” combinava melodias rápidas e uma voz potente e emotiva de Morten Harket, mas sua sonoridade era considerada inovadora demais para o mercado musical de então. A produção, feita por Tony Mansfield, que era um nome respeitado no cenário musical, tinha características muito específicas, como o uso excessivo de sintetizadores e uma batida que não era típica das músicas pop da época.

Além disso, o vocal de Harket, com seu alcance impressionante, foi algo que muitos acharam difícil de se encaixar nas tendências musicais do momento. A música passou a ser vista, nas primeiras tentativas, como algo excêntrico demais para o gosto popular.

Outro fator relevante para as rejeições de “Take on Me” foi o timing. Lançada na época em que o mercado estava saturado de novas bandas pop, a música não se destacava de imediato. Para a indústria musical da época, o a-ha parecia mais uma banda “promissora“, mas ainda sem o ingrediente final para o sucesso.

A Revolução do Videoclipe: “Take on Me” na Telinha

O que realmente fez “Take on Me” se destacar e se transformar em um sucesso mundial foi a revolução que aconteceu em torno de seu videoclipe. Dirigido por Steve Barron, o videoclipe de “Take on Me” foi um marco na história da música. Ele foi um dos primeiros a usar animação rotoscópica — uma técnica que mistura animação e filmagens reais, criando um visual que parecia futurista e único. O videoclipe se tornou uma obra-prima da época, tendo um impacto visual que cativou a audiência e gerou uma nova onda de popularidade para a música.

O uso da animação, que parecia algo novo e inovador, foi um elemento-chave para criar uma conexão emocional com o público. O videoclipe contava a história de um romance impossível, com o vocalista Morten Harket tentando se conectar com uma jovem mulher através de um mundo animado. A animação transformava os membros da banda em personagens dentro de um universo de fantasia, o que conquistou uma nova geração de fãs.

Além disso, a produção do videoclipe foi extremamente detalhada. A ideia de combinar animação e filmagens ao vivo, com o estilo visual único que se tornou uma marca registrada da banda, não só estabeleceu “Take on Me” como um fenômeno, mas também estabeleceu um padrão para futuros videoclipes na indústria da música. Esse vídeo não apenas acompanhava a música, mas potencializava a experiência sonora, criando um ciclo de retroalimentação entre a música e as imagens.

A Virada: O Sucesso Internacional de “Take on Me”

O videoclipe de “Take on Me” foi lançado pela primeira vez em 1985, e foi nesse momento que a música finalmente conseguiu conquistar seu público. Após a reinvenção do videoclipe e a regravação da música, que teve mais sucessos em sua produção, a canção conseguiu alcançar a 1ª posição na Billboard Hot 100 dos Estados Unidos, consolidando o a-ha como uma banda de renome internacional.

O sucesso de “Take on Me” não foi apenas sobre o vídeo ou a música por si só, mas também sobre o efeito que o lançamento teve nas rádios e nas paradas de sucesso. O clipe foi repetidamente exibido no MTV, uma rede que estava crescendo exponencialmente e desempenhava um papel essencial na popularização de novos hits. A música de “Take on Me” foi uma das primeiras a fazer uso completo da MTV para impulsionar sua popularidade.

O Impacto Cultural e o Legado de “Take on Me”

“Take on Me” não é apenas uma canção pop. Sua influência vai muito além da música, sendo considerada um marco cultural dos anos 80. A música e seu videoclipe têm sido lembrados como ícones da estética daquela época, quando a tecnologia e a música estavam começando a se entrelaçar de novas maneiras. A própria música trouxe algo único para a cultura musical, com seus sintetizadores vibrantes e a performance vocal impressionante de Morten Harket.

Em 1986, “Take on Me” ganhou seis prêmios no MTV Video Music Awards, incluindo o de “Melhor Vídeo de Música“. A música também continua sendo uma das mais tocadas nas rádios e é amplamente lembrada como uma das canções definidoras da década de 80.

Além disso, a música segue influenciando outros artistas e bandas até hoje. Seu legado é claro no uso de animações em videoclipes, nas influências de sintetizadores na música pop e na forma como a era dos videoclipes se fundiu com o desenvolvimento da música moderna.

Conclusão: A Lição de Perseverança e Inovação

A trajetória de “Take on Me” é um exemplo notável de como a inovação, a adaptação e a perseverança podem transformar uma rejeição em sucesso mundial. Embora a música tenha sido rejeitada inicialmente, foi sua reinvenção, impulsionada pela combinação de um videoclipe inovador e uma produção revisitada, que a catapultou para o estrelato.

Hoje, “Take on Me” é mais do que apenas uma música dos anos 80; ela é um símbolo de como a música pode ultrapassar fronteiras e se tornar atemporal. O a-ha, que inicialmente enfrentou rejeições e obstáculos, conseguiu transformar uma de suas maiores dificuldades em uma das maiores vitórias de sua carreira. A história de “Take on Me” não é apenas uma sobre uma música, mas uma história sobre como a persistência e a inovação que transformou o destino da banda para sempre.

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