“One” do Metallica e a história do soldado que inspirou a música

Introdução
Entre as canções mais impactantes do Metallica, “One” ocupa um lugar especial. Lançada em 1988 como parte do álbum …And Justice for All, essa música transcende o thrash metal e se torna um manifesto contra os horrores da guerra. Com uma melodia que cresce em intensidade até explodir em um solo furioso, “One” leva o ouvinte a uma jornada emocional intensa. Mas por trás da genialidade musical, há uma história sombria e real que inspirou a canção: a do soldado que perdeu tudo, exceto sua consciência.
Vamos mergulhar na origem de “One”, explorando sua inspiração literária e cinematográfica, além de seu impacto cultural. Essa icônica música do Metallica tem raízes profundas e uma história fascinante que vai além do convencional. Descubra como elementos de um romance influenciaram sua criação e de que forma seu videoclipe inovador marcou a indústria musical. Além disso, analisaremos o impacto da canção no cenário do heavy metal e sua relevância até hoje. Prepare-se para uma jornada detalhada por essa obra-prima, revelando curiosidades e aspectos que tornam “One” uma das músicas mais marcantes do gênero.
A inspiração em Johnny Got His Gun
Para compreender “One”, é essencial conhecer “Johnny Got His Gun” (“Johnny Vai à Guerra“), livro de Dalton Trumbo publicado em 1939. A obra narra a história de Joe Bonham, um jovem soldado da Primeira Guerra Mundial que sofre ferimentos devastadores: perde os braços, as pernas e grande parte do rosto, incluindo olhos, ouvidos e boca. Apesar de tudo, ele está vivo e consciente, preso em seu próprio corpo sem meios de se comunicar.
O livro de Trumbo é um poderoso manifesto antibelicista. Escrito na época da Segunda Guerra Mundial, foi inicialmente censurado pelo governo americano por seu teor pacifista. Anos depois, em 1971, o próprio Trumbo dirigiu a adaptação cinematográfica do livro, trazendo a história de Joe Bonham para as telas. Esse filme teria um impacto direto sobre “One”, como veremos a seguir.
Como o Metallica descobriu Johnny Got His Gun
James Hetfield e Lars Ulrich, membros fundadores do Metallica, conheceram Johnny Got His Gun através do filme de 1971. A ideia de um homem totalmente isolado dentro de seu próprio corpo os impressionou profundamente. Em entrevistas, Hetfield revelou que a sensação de total impotência e a dor psicológica do personagem os levaram a querer expressar essa tragédia em forma de música.
A conexão entre a música e o filme é tão forte que o Metallica decidiu incorporar cenas da produção cinematográfica no videoclipe de “One”. Foi a primeira vez que a banda gravou um clipe oficial, marcando uma nova fase na sua carreira. O resultado é um vídeo perturbador e hipnotizante, onde a história de Joe Bonham se mescla à banda tocando em um ambiente escuro e claustrofóbico.
A composição de “One”
“One” é uma das canções mais complexas e emocionalmente carregadas do Metallica. Começa de forma melancólica, com guitarras limpas e um ritmo cadenciado, que remetem ao estado de desespero do protagonista da música. A medida que a canção avança, o peso aumenta, culminando em um solo explosivo e uma bateria metralhante, que simboliza o caos e a violência da guerra.
A letra de “One” expressa a agonia de alguém que perdeu tudo, mas permanece consciente. O verso “Hold my breath as I wish for death” (“Prenda a respiração enquanto desejo a morte“) reflete o desejo de escapar do sofrimento. A música transmite, de forma intensa e brutal, o desespero e a imobilidade do protagonista, capturando a essência trágica do personagem de Johnny Got His Gun. Com uma narrativa sombria e impactante, a canção traduz a sensação de isolamento e impotência, tornando-se um hino contra os horrores da guerra. A fusão entre música e literatura reforça sua profundidade emocional e seu impacto cultural duradouro.
O impacto cultural de “One”
Lançada como single em 1989, “One” foi um sucesso imediato e ajudou a consolidar o Metallica como uma das bandas mais influentes do metal. O videoclipe foi amplamente exibido na MTV e introduziu a banda para um público ainda maior.
A música também rendeu ao Metallica seu primeiro Grammy, em 1990, na categoria “Melhor Performance de Metal”. Foi um marco importante para o reconhecimento do metal como gênero musical respeitável no mainstream.
Com o tempo, “One” se consolidou como um poderoso hino contra a guerra, ganhando ainda mais força em apresentações ao vivo. A energia avassaladora do Metallica no palco, aliada a efeitos pirotécnicos simulando explosões e rajadas de metralhadora, intensifica a experiência da música. Esses elementos visuais e sonoros reforçam a atmosfera sombria e angustiante da canção, transportando o público para o cenário brutal que a inspirou. Sua performance ao vivo não apenas emociona os fãs, mas também amplia sua mensagem contra os horrores da guerra, solidificando seu impacto na cultura do heavy metal e além.
Curiosidades pouco conhecidas sobre “One”
- O Metallica comprou os direitos do filme Johnny Got His Gun para evitar problemas com o uso das cenas no videoclipe.
- Em algumas apresentações ao vivo, Hetfield canta versos alternativos que não aparecem na versão de estúdio.
- A bateria de Lars Ulrich na parte final da música imita o som de uma metralhadora, reforçando a sensação de guerra.
- O solo de Kirk Hammett é considerado um dos mais icônicos do metal e frequentemente citado em listas dos melhores solos de todos os tempos.
Conclusão
“One” é muito mais do que uma canção de metal. É um manifesto contra os horrores da guerra, uma experiência sensorial intensa e um marco na história da música. Inspirada em Johnny Got His Gun, a música transporta o ouvinte para um mundo de desespero e impotência, fazendo refletir sobre o impacto real dos conflitos armados.
Décadas após seu lançamento, “One” continua atemporal, emocionando e impactando gerações de ouvintes. Seja pela profundidade de sua mensagem ou pela genialidade de sua composição, a canção mantém sua relevância no cenário musical. Com sua estrutura intensa, que evolui de um começo melancólico para uma explosão de riffs e solos marcantes, a música se consagrou como uma das mais icônicas do Metallica. Além de seu peso emocional, “One” segue sendo um símbolo do poder do rock em transmitir narrativas profundas, consolidando-se como uma das obras mais emblemáticas do gênero e um clássico absoluto da banda.